Morte ao anoitecer em M. Claros, no dia 15 de agosto - mulher tinha 42 anos: "... o casal estava separado desde maio deste ano, mas o homem não aceitava o fim do relacionamento"
Terça 25/08/26 - 11h17
Feminicídio em Montes Claros: polícia conclui inquérito e aponta que ex-companheiro matou mulher asfixiada após não aceitar fim do relacionamento
Durante a apuração, a Polícia Civil ouviu familiares, testemunhas e pessoas próximas à mulher.
Conforme a delegada, os depoimentos foram convergentes ao apontar que o relacionamento era marcado por comportamento controlador, obsessivo e por violência psicológica.
A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava o feminicídio de uma mulher de 42 anos, morta pelo ex-companheiro no dia 15 de agosto, em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais.
Segundo a delegada responsável pelo caso, Francielle Drumond, o laudo de necropsia apontou que a vítima morreu por asfixia provocada por esganadura.
De acordo com a investigação, o suspeito utilizou as próprias mãos para provocar a constrição do pescoço da vítima.
Durante a apuração, a Polícia Civil ouviu familiares, testemunhas e pessoas próximas à mulher.
Conforme a delegada, os depoimentos foram convergentes ao apontar que o relacionamento era marcado por comportamento controlador, obsessivo e por violência psicológica.
“Todos esses relatos foram convergentes no sentido da existência de um relacionamento abusivo, marcado por um comportamento controlador por parte do autor, obsessivo e também de violência psicológica”, afirmou Francielle Drumond.
Segundo a polícia, o casal estava separado desde maio deste ano, mas o homem não aceitava o fim do relacionamento.
A investigação apontou que ele passou a perseguir a vítima no local de trabalho e também nas proximidades das casas de familiares.
Durante a coletiva, a delegada informou que a vítima não havia registrado boletim de ocorrência contra o ex-companheiro e também não havia solicitado medida protetiva.
“Em nenhum momento a vítima teria registrado nenhum boletim de ocorrência informando dessa violência psicológica que ela sofria e também não requereu medidas protetivas”, disse.
A delegada destacou ainda a importância de identificar sinais de violência psicológica em relacionamentos abusivos, mesmo quando não há agressões físicas.
Vítima foi atraída para a casa do ex-companheiro
Ainda conforme a Polícia Civil, o suspeito descobriu que a vítima iria a um evento social acompanhada de uma amiga e sem a presença dele.
A partir da reprodução dos fatos, os investigadores concluíram que o homem teria ligado para a vítima e pedido que ela fosse até a casa dele.
Segundo a delegada, a mulher foi ao imóvel acreditando no chamado.
“O autor teria trancado o portão como uma forma de evitar qualquer possibilidade de saída ou defesa da vítima e, em seguida, praticou o feminicídio por esganadura”, explicou a delegada.
Suspeito tentou suicídio após matar a ex
De acordo com a delegada, após matar a ex-companheira, o homem teria enviado mensagens para familiares informando que havia cometido o feminicídio e que também tiraria a própria vida.
“Antes do autor atentar contra a própria vida, ele teria mandado mensagens pra alguns familiares dele informando da prática do feminicídio, e, informando que iria praticar o suicídio.
Em seguida o autor teria disparado contra a própria mandíbula, no entanto, os familiares compareceram ali na residência logo em seguida, prestaram socorro e o autor foi encaminhado ao hospital”, disse a delegada.
Mesmo internado em estado grave, o homem teve a prisão preventiva decretada.
A Polícia Civil representou pela prisão e o mandado foi cumprido na última sexta-feira, em Montes Claros.
Ele permanece internado, mas está preso sob escolta policial.
Arma teria sido fabricada pelo próprio suspeito
Segundo a Polícia Civil, a investigação também apurou que a arma utilizada pelo homem na tentativa de suicídio, era uma arma artesanal.
A delegada afirmou que o suspeito tinha conhecimento e habilidade para fabricar esse tipo de armamento e que, conforme os elementos reunidos no inquérito, há indicativos de que ele próprio tenha produzido a arma.
O inquérito foi concluído pela Polícia Civil e o suspeito responde pelo crime de feminicídio.
A legislação brasileira prevê atualmente pena de 20 a 40 anos de prisão para o crime.
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Resumo:
Polícia Civil concluiu que mulher de 42 anos foi morta por esganadura pelo ex-companheiro, em Montes Claros, que não aceitava o fim do relacionamento.


